quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lição de Moral #17: O silêncio é ambivalente.

Eu não lembro muito bem como dormi naquele sábado. Ao acordar, a brisa calma se aproximava das onze, e o fogo não queimava mais. Houve coragem, ouvi você chorar. Se fosse possível ver as lágrimas, tocar os ombros, assoviar dúvidas e sorrir da remela alheia; Se eu tivesse que ver suas pernas tremerem (mas eu olhava pras minhas sem encarar o telefone), você tivesse me batido, e os pratos se chocassem contra as samambaias suspensas infirmes; Se eu tivesse dormido até às três, se a gente não tivesse discutido de saudades na quarta... Veja só, como a imaginação transforma as samambaias. Suspenso no tempo indeterminado. Germinando desculpas e soluços numa caixa de mensagens desastrosas. Os amigos transitam pelas fronteiras inocentes. Os muros autoinflados do ego tornam minotauros em labiritos. Suspirando pestanejos, sacrilejando paralíticos. Quem olhar além do reflexo atirará no primeiro relógico. Respondendo espirros e ignorando elefantes, avançamos à distância aquilo que nos distância do avante; aquilo que permanece; naquele a kilo, a moça perguntou de você. 3 metros cúbicos de espuma pós-moderna, 10 de magnésio.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Lição de moral #16: Cuide bem dos dentes do leão.

Ao receber sua primeira carta de imposto de renda, dance ao redor de um chafariz por ter se tornado um adulto. Agora, o peso tarefático das experiências históricas terão um leve cheiro de nitroglicerina, e você vai odiar pessoas que usam calças com boca de sino. Au mais, que o sinar, sonhe sangue e purpurina. Não esqueça de deixar a tv ligada sempre que possível, sua monotonia circuncinfática estabiliza corações até mesmo enquanto dorme. Se algo começar a cheirar como carcaça, saiba que ali exprimem os leões. Ali estremem os vagões. Dali se mo-vê por moldura. 30 luzes por segundo, 10 de magnésio.
domingo, 10 de fevereiro de 2013

Lição de moral #15: Nunca monte sua nave espacial com papel de livros.

Às vezes bate aquela vontade de ir para longe. Longe mesmo, tipo a anos luz de distância. Não para ficar longe da civilização, mas para atingir a proximidade pela simples contradição. Nessas horas, algumas pessoas munem-se de cálculos avançadíssimos, uma fotografia velha das filhas pequenas e uma série de geringonças protetoras, na esperança de ficar mais próximo de casa e eliminar o paradoxo fundamental de toda viagem: quanto mais longe, mais perto. Outras pessoas munem-se apenas de livros, com suas manifestações de verdade e fantasia. Essas últimas são mais pretensiosas, pois pegar um foguete para além da estratosfera faz-nos muito mais humildes do que ler a Crítica da Razão Pura. O combustível mais perigoso para essas viagens não é hidrogênio em pó, nem chá verde, ou balas de coca-cola, mas sim as palavras dos livros, que, não obstante sua evidente fragilidade, permanecem indestrutíveis, nas explosões e queimaduras que causaram no interior das pessoas, na sua parte invisível e mais evidente. Se tudo correr assim, apenas somos esmagados pela torrente de perfeição, que vai para outras galáxias, enquanto ficamos compactados, observando com lunetas cinematográficas o seu voo ultra-distante. Não deixe sua alma servir de combustível para ideias velhas sem também usá-las como combustível para sua alma inexistente vagar pelos absurdos mais incoerentes da existência. Assim você mergulha fundo no segundo paradoxo das viagens: quanto mais nos deixamos levar pela diferença, mais iguais a nós mesmos tornamo-nos — afinal, ou bem somos bastante desconhecidos, fundamentalmente, ou já nos tornamos zumbis: cadáveres ambulantes que venceram na vida e não têm mais nada a fazer além de vagar mecanicamente em busca de miolos. Não impeça Odisseu de retornar ao lar e Deixe o Major Tom vivo em sua memória, argonauta do mundo supra-lunar, em sua eterna jornada que jamais deixará de acontecer. Você só precisa de 10 toneladas de aço ou madeira, 15000 páginas de discursos variados, 2 quilogramas de de nióbio, 100 miligramas de silício e 10 de magnésio.
domingo, 28 de outubro de 2012

Lição de moral #14: Nunca deixe um peixe muito tempo fora d'água.

Já haviam quatro horas desde que John fumara seu último havana sobre o corpo de seu inimigo morto. O peixeiro continuava estirado sob o sol das duas horas, e seu corpo apodrecendo continuava a desidratar liberando um cheiro de amônia e tempo. Os ponteiros do relógio de pulso da vítima caminhavam, em compasso, num ritmo mais lento que o preguiçoso ventilador de teto que fazia a fumaça dançar naquele ambiente bagunçado. O tempo não existia. Sozinho com a morte, as vibrações em onda que eram emitidas periodicamente pela vitrola fizeram todo sentido, e ele decidiu que já era hora de enrolar mais um. Anda estava muito cedo pra dormir. 2g de tabaco, 10 de magnésio.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Lição de moral #13: Não coloque tudo que vê na boca.


Pode consultar o livro? Perguntou a menina. Vai que cola, né? Não. Só a tabela periódica. Droga. Não da pra entender nada mesmo. Duas horas de prova, e só conseguiu ganhar uma caneta totalmente mordida e babada. Tira isso da boca menina, e vai fazer sua prova.  Mas fessôra, tal de Scheele, que descobriu os elementos tudo dessa tabelinha aqui, não provava tudo? Cê sabe que ele morreu por isso, né menina? Ah, a mais isso é porque ele colocava qualquer coisa que via na boca. Aposto que se fosse uma canetinha, ou um pirulito, dava nada. molibdênio, tungstênio, cloro, oxigênio, mercúrio e 10 de magnésio.
terça-feira, 19 de junho de 2012

Lição de moral #12: Sempre esquente bem o flamejante


Misturar bebidas nunca foi uma boa ideia. Curiosamente, a maioria dos drinks é composta por uma mistura inusitada de duas bebidas que você nunca ouviu falar, com algo que tenha corante e o resultado é uma parada com nome de filme de sessão da tarde. Bota fé? Então, belo dia eu tomei um desses ae, só que a parada não estava bem fervida não. Bateu pior que Big Êipou com Start quando o cabra 'ta de estômago vazio.  Só que eu tinha aquela balinha que cura tudo, de azia a dor no pé. A versão comestível da pomada Minâncora. Caso contrário seria meio tenso. Quem ficou no rock disse que altas bads  rolaram. Envolvendo cerveja quente, flamejante frio e dogão de 4 conto. É foda. 67 mg, 10 de magnésia.
terça-feira, 12 de junho de 2012

Lição de moral #11: Não tenha medo de juntar dois quebra-cabeças.

Aos 3 anos de juventude ganhara um grande quebra-cabeças. As, inicialmente, 1000 peças de papelão colorido eram frequentemente reduzidas e embaralhadas devido à trocas, nem sempre justas (as crianças não o faziam por mal), e quando, volta e meia, o garoto perdia alguma peça brincando pelo mundo. Mas, as vezes, Tom encontrava peças perdidas por outras crianças, e, ao tornar-se moço, seu quebra-cabeças parecia impossível de ser montado novamente. Nenhuma forma completa, nenhum cenário por inteiro, nenhum personagem que não precisasse ser a mistura de dois. Apesar de tudo, agora havia ao menos um peça de cada cor. Após muito tempo tentando em vão construir uma situação coerente com aquilo que tinha em mãos, Tom resolveu que não tinha mais tempo a ser perdido com a impossível tarefa. E, nos anos que se passaram, nunca falou sobre isso. Se alguém tocava no assunto...Ah, vocês sabem o que aconteceu durante esse tempo, não sabem? Enfim, em uma sexta feira de outono, no dia de seu aniversário, Tom bebia despreocupadamente (e indefeso ao que viria a seguir). Descendo a rua, com uma caixa na mão, veio Nina. Quando o, agora já um, rapaz viu o que a moça carregava, sabia que nas mãos dela, aquilo poderia ser finalmente resolvido. Ela parou ao seu lado e abriu a caixa. As peças continuavam todas embaralhadas, e ela tirou do bolso suas próprias peças sem coerência e as jogou dentro da caixa. Os dois se olharam, e os corações bateram em sincronia. Eles sabiam que poderiam, sendo um, serem completos. 136 batidas por minuto, 10 de magnésio.

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