Estavam fazendo o melhor que podiam, tentando descobrir quanto seria suficiente. Tomavam cuidado pra não tropeçarem, acreditando no que certamente não desabaria. Nas tripas colocaram a vontade, juntando o que tinham para apoiar, e foram. Viviam cada minuto sem perceberem como preenchiam as lembranças que logo tornavam. Não é fácil se arrepender pelo que não foi feito, que não se mostrou na hora ou se disse a tempo. Carregando tudo que é tarde demais, até que se possa ser enfim presente. 1 relógio atrasado, 10 de magnésio.
sábado, 3 de agosto de 2013
Lição de Moral #18: Dê mil voltas na cabeça para encontrar o óbvio.
Segue a vista parcelando atenção. O que apontas é o que precisa ver, pois a culpa delegada é distração. O tesouro que repousa no banal mostra a busca escondendo o caminho. São só modos de mascarar negações, são as vendas que lhe atam o pensar. Dez mil culpas que adiam o perdão. Outro dia pro silêncio assentar. Umas luas pra que abaixe a poeira. Cem sorrisos pra esquecer o desespero. Se na porta repousa quem foi em vão, haja nela paciência d'existir. Pra ternura ao atacado sem pesar, a jangada coração há de partir. 1 vagão para chamar de lar, 10 de magnésio.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Lição de Moral #17: O silêncio é ambivalente.
Eu não lembro muito bem como dormi naquele sábado. Ao acordar, a brisa calma se aproximava das onze, e o fogo não queimava mais. Houve coragem, ouvi você chorar. Se fosse possível ver as lágrimas, tocar os ombros, assoviar dúvidas e sorrir da remela alheia; Se eu tivesse que ver suas pernas tremerem (mas eu olhava pras minhas sem encarar o telefone), você tivesse me batido, e os pratos se chocassem contra as samambaias suspensas infirmes; Se eu tivesse dormido até às três, se a gente não tivesse discutido de saudades na quarta... Veja só, como a imaginação transforma as samambaias. Suspenso no tempo indeterminado. Germinando desculpas e soluços numa caixa de mensagens desastrosas. Os amigos transitam pelas fronteiras inocentes. Os muros autoinflados do ego tornam minotauros em labiritos. Suspirando pestanejos, sacrilejando paralíticos. Quem olhar além do reflexo atirará no primeiro relógico. Respondendo espirros e ignorando elefantes, avançamos à distância aquilo que nos distância do avante; aquilo que permanece; naquele a kilo, a moça perguntou de você. 3 metros cúbicos de espuma pós-moderna, 10 de magnésio.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Lição de moral #16: Cuide bem dos dentes do leão.
Ao receber sua primeira carta de imposto de renda, dance ao redor de um chafariz por ter se tornado um adulto. Agora, o peso tarefático das experiências históricas terão um leve cheiro de nitroglicerina, e você vai odiar pessoas que usam calças com boca de sino. Au mais, que o sinar, sonhe sangue e purpurina. Não esqueça de deixar a tv ligada sempre que possível, sua monotonia circuncinfática estabiliza corações até mesmo enquanto dorme. Se algo começar a cheirar como carcaça, saiba que ali exprimem os leões. Ali estremem os vagões. Dali se mo-vê por moldura. 30 luzes por segundo, 10 de magnésio.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Lição de moral #15: Nunca monte sua nave espacial com papel de livros.
Às vezes bate aquela vontade de ir para longe. Longe mesmo, tipo a anos luz de distância. Não para ficar longe da civilização, mas para atingir a proximidade pela simples contradição. Nessas horas, algumas pessoas munem-se de cálculos avançadíssimos, uma fotografia velha das filhas pequenas e uma série de geringonças protetoras, na esperança de ficar mais próximo de casa e eliminar o paradoxo fundamental de toda viagem: quanto mais longe, mais perto. Outras pessoas munem-se apenas de livros, com suas manifestações de verdade e fantasia. Essas últimas são mais pretensiosas, pois pegar um foguete para além da estratosfera faz-nos muito mais humildes do que ler a Crítica da Razão Pura. O combustível mais perigoso para essas viagens não é hidrogênio em pó, nem chá verde, ou balas de coca-cola, mas sim as palavras dos livros, que, não obstante sua evidente fragilidade, permanecem indestrutíveis, nas explosões e queimaduras que causaram no interior das pessoas, na sua parte invisível e mais evidente. Se tudo correr assim, apenas somos esmagados pela torrente de perfeição, que vai para outras galáxias, enquanto ficamos compactados, observando com lunetas cinematográficas o seu voo ultra-distante. Não deixe sua alma servir de combustível para ideias velhas sem também usá-las como combustível para sua alma inexistente vagar pelos absurdos mais incoerentes da existência. Assim você mergulha fundo no segundo paradoxo das viagens: quanto mais nos deixamos levar pela diferença, mais iguais a nós mesmos tornamo-nos — afinal, ou bem somos bastante desconhecidos, fundamentalmente, ou já nos tornamos zumbis: cadáveres ambulantes que venceram na vida e não têm mais nada a fazer além de vagar mecanicamente em busca de miolos. Não impeça Odisseu de retornar ao lar e Deixe o Major Tom vivo em sua memória, argonauta do mundo supra-lunar, em sua eterna jornada que jamais deixará de acontecer. Você só precisa de 10 toneladas de aço ou madeira, 15000 páginas de discursos variados, 2 quilogramas de de nióbio, 100 miligramas de silício e 10 de magnésio.
domingo, 28 de outubro de 2012
Lição de moral #14: Nunca deixe um peixe muito tempo fora d'água.
Já haviam quatro horas desde que John fumara seu último havana sobre o corpo de seu inimigo morto. O peixeiro continuava estirado sob o sol das duas horas, e seu corpo apodrecendo continuava a desidratar liberando um cheiro de amônia e tempo. Os ponteiros do relógio de pulso da vítima caminhavam, em compasso, num ritmo mais lento que o preguiçoso ventilador de teto que fazia a fumaça dançar naquele ambiente bagunçado. O tempo não existia. Sozinho com a morte, as vibrações em onda que eram emitidas periodicamente pela vitrola fizeram todo sentido, e ele decidiu que já era hora de enrolar mais um. Anda estava muito cedo pra dormir. 2g de tabaco, 10 de magnésio.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Lição de moral #13: Não coloque tudo que vê na boca.
Pode consultar o livro? Perguntou
a menina. Vai que cola, né? Não. Só a tabela periódica. Droga. Não da pra
entender nada mesmo. Duas horas de prova, e só conseguiu ganhar uma caneta
totalmente mordida e babada. Tira isso da boca menina, e vai fazer sua
prova. Mas fessôra, tal de Scheele, que
descobriu os elementos tudo dessa tabelinha aqui, não provava tudo? Cê sabe que
ele morreu por isso, né menina? Ah, a mais isso é porque ele colocava qualquer
coisa que via na boca. Aposto que se fosse uma canetinha, ou um pirulito, dava
nada. molibdênio, tungstênio, cloro, oxigênio, mercúrio e 10 de magnésio.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Lição de moral #12: Sempre esquente bem o flamejante
Misturar
bebidas nunca foi uma boa ideia. Curiosamente, a maioria dos drinks é composta por
uma mistura inusitada de duas bebidas que você nunca ouviu falar, com algo que
tenha corante e o resultado é uma parada com nome de filme de sessão da tarde. Bota
fé? Então, belo dia eu tomei um desses ae, só que a parada não estava bem
fervida não. Bateu pior que Big Êipou com Start quando o cabra 'ta de estômago
vazio. Só que eu tinha aquela balinha
que cura tudo, de azia a dor no pé. A versão comestível da pomada Minâncora. Caso
contrário seria meio tenso. Quem ficou no rock disse que altas bads rolaram. Envolvendo cerveja quente, flamejante
frio e dogão de 4 conto. É foda. 67 mg, 10 de magnésia.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Lição de moral #11: Não tenha medo de juntar dois quebra-cabeças.
Aos 3 anos de juventude ganhara um grande quebra-cabeças. As, inicialmente, 1000 peças de papelão colorido eram frequentemente reduzidas e embaralhadas devido à trocas, nem sempre justas (as crianças não o faziam por mal), e quando, volta e meia, o garoto perdia alguma peça brincando pelo mundo. Mas, as vezes, Tom encontrava peças perdidas por outras crianças, e, ao tornar-se moço, seu quebra-cabeças parecia impossível de ser montado novamente. Nenhuma forma completa, nenhum cenário por inteiro, nenhum personagem que não precisasse ser a mistura de dois. Apesar de tudo, agora havia ao menos um peça de cada cor. Após muito tempo tentando em vão construir uma situação coerente com aquilo que tinha em mãos, Tom resolveu que não tinha mais tempo a ser perdido com a impossível tarefa. E, nos anos que se passaram, nunca falou sobre isso. Se alguém tocava no assunto...Ah, vocês sabem o que aconteceu durante esse tempo, não sabem? Enfim, em uma sexta feira de outono, no dia de seu aniversário, Tom bebia despreocupadamente (e indefeso ao que viria a seguir). Descendo a rua, com uma caixa na mão, veio Nina. Quando o, agora já um, rapaz viu o que a moça carregava, sabia que nas mãos dela, aquilo poderia ser finalmente resolvido. Ela parou ao seu lado e abriu a caixa. As peças continuavam todas embaralhadas, e ela tirou do bolso suas próprias peças sem coerência e as jogou dentro da caixa. Os dois se olharam, e os corações bateram em sincronia. Eles sabiam que poderiam, sendo um, serem completos. 136 batidas por minuto, 10 de magnésio.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Lição de moral #10: Se for beber, não dirija. Se for roubar, roube Kapo.
Caboclo recém saído do ovo, ansiando perder a virgindade no campo da
sagacidade experimental, se juntou com tipos ainda mais estranhos que ele. Não se trata de beber vinho quente, e não
lavar o All Star. Para poder adquirir algum respeito na high society junkie,
deve-se cometer pequenos furtos envolvendo produtos hipsters tais como miojo de
edição limitada ou achocolatado Nescau. Mas ele ainda não estava pronto para
tamanha rebeldia, e tudo que conseguiu foi um Kapo. De maracujá, obviamente,
que é para ficar sussa. 150 ml, 10 de magnésio.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Lição de moral #9: Sempre desconfie do Caetano Veloso.
Ó paí, ó. Esse povo é muito folgado. Cê tá ligado? Mal saem da rede e já vem querendo transar o acarajé alheio. Caminhando sob o sol, eu lá quero saber se em Santo Amaro a galera faz estátua pra David Byrne? Ainda se fosse um robô com a cabeça falante, saca? Um autômato autônomo que botasse a porra toda pra funcionar direito. Mas isso é coisa de cinema... de viagem transcendental. Essa galera, esses entusiastas do sol, do pandeiro e das morenas tropicálias... Fale com ela, que o pior de todos é o tal de Leãozinho, esse sim é um bárbaro. Faz amor e samba até que a menina pense em casamento... e deixe toda coca-cola pra ele beber. Depois a larga, triste, pra voltar pra Bahia. Mas a real da desconfiança é desse tal verso, controverso, de que alguma coisa acontece no coração quando se cruza um menino do rio com o ministro da cultura. Pensando bem, cada um faz da vida o que quiser, e eu gosto mesmo é de Tom Zé. Por quê não? Já são quase 8 da manhã, e o sol nas bancas de revista já me encheu de preguiça, eu vou é dormir. Até mais tarde. Ou não. 20 gramas, 10 de magnésio.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Lição de moral #8: Não coloque uma folha em frente a uma fila de formigas.
Lá estavam elas. Todas em fila indiana fazendo seu percurso diário. Quando o sol nasce, todas vão, e só voltam quando ele se põe. Mas o caminho, além de longo, é penoso. Por vezes uma fila se colide com outra. Pedras e imensos buracos tornam o caminho mais perigoso. Muitas morrem por este caminho. Talvez a espécie mais privilegiada seja a que não precisa passar por cima de águas. Não há como negar admiração. Ou se comover. Com o quanto elas parecem respeitar a rotina que fora lhe dada pela natureza. Quando se vê de fora. Na verdade, cada uma se considera tão insignificante, que por bem, ficam no curso da maioria. Nenhum empecilho é bem vindo. Não se atreva a passar o dedo no espaço, que por vezes, elas deixam na fila. Não coloque uma folha em frente a uma fila de formigas. Nunca atrapalhe a ordem. Elas querem terminar o mais rápido possível. Elas estão apreçadas para o dia em que nadarão em um copo de cerveja. 33 miligramas, 10 de magnésio.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Lição de moral #7: Em terra de olho quem tem cego é rei.
Ofuscados pela luz da estrela que ninguém
chama de estrela, estavam eles, os Icáriamos.
Afoitos por uma resolução subversiva, quase que perversa. Ninguém queria os
louros, só o escárnio de terceiros e quartos. Se não tem cera, usa parafina. E só para contrariar não levaram nada
senão um punhado de sementes de girassóis que tinham sobrado da ração humana
dada aos cachorros. Quem não tem cera usa parafina, se não tem seda, sai da
minha banda, Veí. 5 gramas, 10 de magnésio.
Lição de moral #6: Quem curte Kafka compartilha Besouro Verde.
Um caxeiro-viajante com trombose. Que situação! Ironia do destino? Coisas da vida... Uma artrose seria mais coerente. Já um artrópode... as vezes acontece. "Águas paradas não movem moinhos." já dizia o mineiro com superpoderes. "Não tenho asas, mas sei voar sem óculos." falou o homem cueca. "Até te daria um cinto, mas você não tem cintura." esclareceu o órfão infeliz. Foi então que Bruce Lee interveio: "Mermão, monta um look despojado com direito à arminha de plástico, e se manda pra Las Vegas pra fazer show de canto gregoriano!". Mordomo sagaz esse tal de japonês. 3,5 litros, 10 de magnésio.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Lição de moral #5: Nunca jogue War com um Exu.
Tudo começou quando Adolfo chegou na Rússia, a pé. A coca-cola já estava no final, e trinta e dois pelotões trancavam a rua de acesso à terra dos cangurus. Jesus, é verdade que na Austrália eles comem a carne daquele bicho? Cada um faz o que seu coração mandar. Ou, vai ver, sanduíche de canguru na chapa está sempre na promoção. Voltando. Quando Adolfo chegou na Rússia, os vermelhos já tinham se espalhado por quase toda a Ásia. Mas, seu Exu — Um ex entregador de gás que pensava ser Napoleão — entrou no corpo, quebrando a concentração. Tentaram segurar o terremoto. Veio a chuva ácida de coca-cola. Tem partidas que a gente nunca vai mesmo saber o final. Oceania sempre é uma cilada. 12 grama, 10 de magnésio.
sábado, 2 de junho de 2012
Lição de moral #4: Nunca ignore William Bonner.
Eles adentraram o quarto em êxtase. Deitado na cama, ele
revirara os lençóis na busca do controle remoto. Aponta-o para televisão ligada
enquanto ela beija suas costas. Vinheta do jornal plantão. Negrume. Suor. Cigarros.
Conversavam despretensiosamente. Mal sabiam do mal que os esperava. Não viram
William Bonner noticiar o ataque zumbi mundial que acabara de eclodir. A última
refeição dividida entre tapas por eles, um maldito prato de tofu. 60 gramas, 10
de magnésio.
Lição de moral #3: Nunca cobice a marmelada alheia.
Enlatados ou envoltos numa pequena bandeja de isopor cobertos por uma pequena película de plástico. Não são sardinhas, nem goiabadas. Goiabas. Devemos odiá-las com secreção nasal. Um ódio “catarrético”, invejoso. Goiabeiras e marmeleiros, um conflito primordial. Marmelo é o fruto que acidentalmente confundiram com maçã. Bichos e goiabas, serpentes e maçãs. O marmelo é puro. Um amarelo bege divertido. 150 gramas, 10 de magnésio.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Lição de moral #2: Nunca se pede um gole.
Certa vez, vizinho meu, me pediu um gole de cachaça, lá em baixo do viaduto onde a galeres se reune para comprar canudinho pra beber água de coco. " Você sabe da regra?" Eu perguntei, era uma pergunta retórica. Todos sabem da regra. Mas ele respondeu: "Vish. Sei não." A regra, é que não se pede gole de nada.Muito menos de café, nem pedaço de bombom. É nojento. E é coisa de pobre filho de cego. Mas, ele, o cara não sabia a regra, então eu dei. E ele bebeu. Mas logo depois morreu. Era cachaça com chá de fita. Gente que não sabe a regra não merece viver. 200 miligramas, 10 de magnésio.
Lição de moral #1: Nunca lamba um desodorante roll-on.
Apertou print screen com os dois dedos, enquanto a mocinha se exibia na cam. O espelho, as drogas, as revistinhas vintages do Pokemon Red que ele nunca zerou. Seu Diglett. Trocadilho. Virando Onix. O show continuou em 64 bits. Os olhos... nas bordas. Essa era sua tara. Trocadilho. Uma índia segurando um prato duralex. A excitação, os trocadilhos, e um desodorante roll-on. Não me pergunte onde foi que a índia o enfiou. Ao fim, no chão, jazia um chapéu amarelo manga. 125 gramas, 10 de magnésio.
